Um universo de possibilidadesUm universo de possibilidades

A manipulação de átomos cria novos materiais, que podem ser usados em todos os setores do conhecimento.

Carlos Ossamu - 18/5/2009 - 20h08

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Henrique Eisi Toma: entre as pesquisas, estão nanopartículas que penetram e destroem as células cancerígenas, e células solares capazes de gerar energia, que futuramente poderão estar numa roupa, alimentando de energia o iPod ou o telefone celular.

Henrique Eisi Toma, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), explica que, enquanto a miniaturização teve um forte impacto na indústria de eletrônicos e informática, com o desenvolvimento de chips e circuitos eletrônicos menores, a nanotecnologia está revolucionando todas as áreas, de cosméticos, vestuários, alimentos até na medicina. “No mundo todo, a nanotecnologia está no centro dos principais investimentos. A estimativa é que entre 2010 e 2012 este setor movimente mais de US$ 1 trilhão, equivalente ao PIB brasileiro”, observa.

Entre os exemplos, na indústria automobilística e aeronáutica, a nanotecnologia possibilita materiais mais leves e resistentes, pneus mais duráveis, plásticos não inflamáveis e inteligentes. Um carro produzido com este plástico, bem mais leve que o aço, mas tão resistente quanto, ao ser amassado, “lembrará” do seu formato original e voltará ao estado original. Na indústria têxtil, tecidos com nanopartículas mudarão de cor quando expostos ao sol e serão totalmente à prova de sujeira, incluindo ações antibactericidas. Na indústria farmacêutica, materiais serão usados para regenerar ossos e tecidos danificados, e o câncer será tratado com 100% de eficiência sem os indesejados efeitos colaterais dos atuais medicamentos quimioterápicos.

Segundo conta o professor Toma, no LQSN foi desenvolvido um material totalmente biodegradável, mas que possui nanopartículas magnéticas. Uma de suas aplicações é em desastres ambientais com vazamento de óleo. “É como se fossem pequenos imãs, com um campo magnético muito intenso. Basta borrifar esse material no local onde houve o derramamento de óleo e depois recolhê-lo com um cinturão magnético, ou eu concentro o óleo em um local, evitando uma catástrofe ambiental”, explica. “O mesmo material pode ser tratado para reconhecer células tumorais. As nanopartículas penetram nas células cancerígenas e com a aplicação de uma pequena radiofrequência baixa, é possível destruir os tumores sem interferência médica. Este conceito é chamado de hipertemia. Temos vários usos para um mesmo produto”, comenta.

Uma outra pesquisa realizada pelo LQSN usando nanotecnologia são células solares capazes de gerar energia, que futuramente poderão estar numa roupa, alimentando de energia o iPod ou o telefone celular. Um corante absorve os fótons e gera um fluxo de elétrons que são levados a um coletor de dióxido de titânio. Comparadas com as células solares convencionais de silício, as células solares fotoeletroquímicas são mais fáceis de serem fabricadas e são mais baratas.

“O que torna essa área tão atraente, além da forte proximidade com os sistemas biológicos, é o fato de se poder trabalhar com moléculas como se fossem máquinas, para gerar sistemas e produtos bastante inovadores e interessantes”, diz o professor. “Quando se fala em computação molecular como algo impossível, as pessoas se esquecem de que o nosso cérebro funciona essencialmente com moléculas, e é melhor que qualquer computador já fabricado pelo homem”, diz.

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