Nanotecnologia: revolução invisível

A nanotecnologia vem proporcionando o desenvolvimento de novos materiais e produtos em todas as áreas, desde medicamentos mais eficientes, que poderão curar definitivamente o câncer sem o uso de quimioterápicos agressivos; tecidos que não sujam ou até mesmo que nos deixem invisíveis; também computadores moleculares, que poderão ser conectados ao cérebro para podermos aprender.

Carlos Ossamu - 18/5/2009 - 20h18

Os filósofos gregos antigos, entre eles Tales de Mileto, Aristóteles e Demócrito, há mais de 2.500 anos , se perguntavam do que as coisas eram feitas, se tudo o que existe não poderia ser reduzido a componentes mais simples. Afinal, a matéria não poderia ser dividida infinitamente, deveria haver um limite, algo tão pequeno que seria indivisível. A isso eles chamaram de átomo, que significa “não divisível” (apesar de a bomba atômica ter mostrado que até o átomo pode ser dividido, liberando imensa energia).

É neste universo de átomos e moléculas que trabalha a nanotecnologia, manipulando estruturas muito pequenas e criando materiais funcionais que são impossíveis de serem feitos do modo convencional. Um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro ou um milionésimo de milímetro.

Em termo ilustrativo, uma partícula nanométrica seria uma bola de futebol em comparação à Terra. Em essência, a nanotecnologia consiste na manipulação da matéria em nanômetros, para criar estruturas com uma organização molecular diferenciada. Seria algo como montar uma molécula do jeito desejado, utilizando átomos como peças fundamentais.

O primeiro passo para manipular moléculas foi dado nos anos 80, com a criação do microscópio de tunelamento. Seus inventores foram dois cientistas do laboratório da IBM na Suíça, Heinrich Rohrer e Gerd Binning, que levaram o Prêmio Nobel de Física pelo trabalho em 1986. Mas o “pai” da nanotecnologia foi o norte-americano Kim Eric Drexler, que aliás foi a primeira pessoa no mundo a obter o título de PhD em Nanotecnologia em 1991, pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Drexler escreveu seu primeiro artigo científico em 1981, sobre a possibilidade de reproduzir mecanicamente a atividade biológica celular, chamada de engenharia molecular, na revista Proceeding of the National Academy of Sciences. Em 1986, escreveu o livro Engines of Creation, usando pela primeira vez o termo Nanotecnologia. “Toda a biologia é feita em escala nanométrica e não há máquina mais perfeita do que a criada pela natureza”, diz Henrique Eisi Toma, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo Laboratório de Química Supramolecular e Nanotecnologia (LQSN). “A borracha é um material frágil, que esfarela com facilidade e não tem muita resistência. Mas ao ser adicionado carbono, ela fica resistente e é usada na fabricação de pneus. Há pesquisas para o desenvolvimento de pneus mais ecológicos, com o uso de nanopartículas de argila, com mais durabilidade e menos agressivas ao meio ambiente”, diz o professor Toma.

Fonte: Diário do Comércio - Caderno Especial: Nanotecnologia. Págs.: 01 a 03.

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