Arquivo de abril de 2009

Recorra à nanotecnologia e faça de seu corpo uma bateria!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Uma equipe de pesquisadores conseguiu produzir energia, convertendo vibrações à baixa freqüência, oriundas de movimentos do corpo, do andar ou ainda dos batimentos repetidos do coração.

A técnica utiliza nanofios de óxido de zinco que geram uma corrente elétrica (propriedade piezelétrica) quando estes são submetidos a estresses mecânicos. O diâmetro e o comprimento dos fios utilizados são de 1/5000 a 1/25 vezes o diâmetro de um cabelo humano (um fio de cabelo mede aproximadamente 80 m de diâmetro (1 µm = 10-4m)) .

“A pesquisa terá impacto considerável sobre as tecnologias de defesa, de monitoramento do ambiente, das ciências biomédicas e também da eletrônica”, declarou o responsável pelo projeto, Zhong Lin Wang, professor do Georgia Institute of Technology.

Os nanofios podem ser “cultivados” sobre metais, cerâmicas, polímeros e até mesmo sobre roupas. Ainda segundo os cientistas, os nanogeradores poderiam alimentar aparelhos eletrônicos utilizados pelas forças armadas quando as tropas se encontram isoladas do campo de base. Poderiam, ainda, servir de sensores biológicos (biossensores) implantados sob a pele.

“Simplesmente, essa tecnologia pode ser utilizada para produzir energia quando há movimento”, declarou Wang. Em compensação, nenhuma data oficial foi dada sobre a colocação dessa tecnologia no mercado.

Fonte: Enerzine, 01 de abril, 2009 (Tradução - MIA).

Nova forma de produzir grafeno viabiliza papel eletrônico

terça-feira, 28 de abril de 2009

Nova forma de produzir grafeno viabiliza papel eletrônico

O grafeno é o material do futuro. Pelo menos para diversos centros de pesquisa espalhados pelo mundo que, desde 2004, quando foi isolado pelo grupo de Andre Geim, da Universidade de Manchester, têm estudado as propriedades e aplicações dessa nova forma de carbono.

Sucessor do silício

O grafeno é considerado o mais forte de todos os materiais já medido pelo homem. Por suas características insólitas (reduzida espessura, por exemplo) e propriedades notáveis (alta condução de eletricidade), ele tem sido cotado, entre outras coisas, como possível sucessor do silício na fabricação de chips de computador ou como o material de base para a nova geração de dispositivos eletrônicos.

Por formar folhas resistentes e capazes de serem dobradas sem danos - por conta do arranjo de átomos de carbono em uma estrutura que lembra o de uma colméia -, uma das principais aplicações potenciais do grafeno está na fabricação de aparelhos eletrônicos flexíveis.

Mas os dispositivos eletrônicos à base de grafeno desenvolvidos até o momento foram feitos de peças minúsculas (na escala dos micrômetros) e a partir de um método pouco eficiente que envolve “descascar” camadas de um substrato de grafite.

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Cientistas sul-coreanos desenvolvem método mais eficiente para a produção de folhas de grafeno, material que poderá servir de base para os eletrônicos do futuro. [Imagem: Hong et al]

Deposição de vapor químico

Agora, um grupo de cientistas da Coreia do Sul descreve um método alternativo e mais versátil para produzir filmes de grafeno com excelentes propriedades eletrônicas.

Os filmes são flexíveis e podem ser construídos em tamanhos relativamente grandes, de vários centímetros de área. No estudo, Byung Lee Hong, da Universidade Sungkyunkwan, e colegas aperfeiçoaram um processo conhecido como deposição de vapor químico, no qual uma mistura gasosa de hidrocarbonetos circula sobre folhas de níquel aquecidas e se quebra em átomos de carbono.

Os átomos, por sua vez, rearranjam-se na forma de grafeno. Ao esfriar rapidamente o substrato, são formados filmes com apenas algumas camadas de espessura. Esses filmes ultrafinos são transparentes e contam com alta condutividade elétrica, semelhantes aos obtidos pelo processo mecânico de obtenção de grafeno, até então o único existente.

A principal promessa da novidade está no desenvolvimento de eletrodos flexíveis, transparentes e que ocupam grandes áreas. Um exemplo, segundo os pesquisadores, está em telas eletrônicas, para uso em publicações como revistas ou jornais, em substituição ao papel.

Bibliografia:

Large-scale pattern growth of graphene films for stretchable transparent electrodes
Keun Soo Kim, Yue Zhao, Houk Jang, Sang Yoon Lee, Jong Min Kim, Kwang S. Kim, Jong-Hyun Ahn, Philip Kim, Jae-Young Choi, Byung Hee Hong
Nature
14 Jan 2009
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nature07719

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=nova-forma-de-produzir-grafeno-viabiliza-papel-eletronico&id=010165090203

Costura com nanotubos torna fibra de carbono 10 vezes mais forte

terça-feira, 28 de abril de 2009

Costura com nanotubos torna fibra de carbono 10 vezes mais forte

Engenheiros do MIT, nos Estados Unidos, estão utilizando nanotubos de carbono para “costurar” materiais aeroespaciais em uma tecnologia que poderá tornar as asas dos aviões e inúmeros outros materiais de amplo uso industrial até 10 vezes mais fortes e com apenas um aumento mínimo em seu custo.

Outra vantagem do uso dos nanotubos de carbono para reforçar os materiais compósitos de que são feitas as asas dos aviões mais modernos é que esses tubos nanoscópicos elevam a condutividade elétrica do material em mais de um milhão de vezes, tornando os aviões menos sujeitos a danos causados pelos relâmpagos.

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Nanotubos de carbono (representados em azul) são colocados perpendicularmente em relação às fibras de carbono, evitando que a cola que as une se quebre. [Imagem: Wardle Lab, MIT]


Fibras de Carbono

Os materiais mais avançados hoje utilizados em aplicações aeroespaciais, na construção de carros de corrida e de alguns equipamentos esportivos, são compósitos, feitos com sucessivas camadas de fibras de carbono coladas entre si por um polímero.

Mesmo sendo extremamente resistentes, a limitação desses materiais está exatamente na cola, que pode apresentar trincas e rachaduras, fazendo com que as fibras de carbono se separem e o material perca rigidez. Por isso, os engenheiros há anos pesquisam formas para reforçar a interface entre as camadas, ainda sem sucesso.

Nanocostura

Agora, a equipe do pesquisador Brian L. Wardle acredita ter encontrado a solução. Eles estão utilizando nanotubos de carbono - que são cerca de 1.000 vezes menores do que as fibras de carbono - para fazer uma espécie de costura que mantém as camadas de fibras unidas muito mais fortemente do que quando a cola polimérica é usada sozinha.

A nova técnica mantém o uso da cola, mas faz um reforço inserindo nela nanotubos de carbono dispostos perpendicularmente às camadas de fibras de carbono. Como são muito menores, os nanotubos colocados na perpendicular entram nos espaços vazios das fibras de carbono, fazendo uma verdadeira nanocostura entre as camadas superpostas.

“Desta forma nós estamos colocando as fibras mais fortes conhecidas pelo homem [os nanotubos de carbono] no lugar onde o compósito é mais fraco e onde ele é mais necessário,” explica Wardle.

O aumento na resistência das peças pode ser alcançado com uma quantidade de nanotubos de carbono equivalente a menos de 1% da massa total do compósito, o que deverá implicar no aumento do custo do material em apenas alguns poucos pontos percentuais, segundo cálculo do pesquisador.


Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=nanocostura-com-nanotubos-fibra-de-carbono-10-vezes-mais-forte&id=010165090313

Átomos de carbono são mostrados em filme pela primeira vez

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Átomos de carbono são mostrados em filme pela primeira vez

Pela primeira vez, cientistas conseguiram fazer um filme mostrando átomos individuais de carbono movendo-se nas bordas de uma folha de grafeno.

Vendo átomos individuais

“A capacidade para ver átomos individuais movendo-se em tempo real para ver como a configuração atômica evolui e influencia as propriedades do sistema é alguma coisa como um biólogo ser capaz de ver as células se dividindo e formando um organismo,” diz o físico Alex Zettl, que coordenou a pesquisa.

Os cientistas fizeram um furo na folha de grafeno - uma folha de carbono com apenas um átomo de espessura - e usaram o mais poderoso microscópio de transmissão eletrônica do mundo para filmar os átomos realinhando-se ao redor do furo, tudo em tempo real.

Spintrônica

O filme permite a visualização das ligações químicas se quebrando e formando à medida que os átomos tentam retornar para uma configuração estável depois que o furo foi feito.

Pode-se ver os átomos realinhando-se em uma estrutura em ziguezague, a mais promissora para futuros explorações da spintrônica.

“O crescimento átomo por átomo é um dos problemas mais fundamentais da física do estado sólido, mas é especialmente crítico para sistemas em nanoescala, onde a adição ou subtração de um único átomo pode ter consequências dramáticas para as propriedades mecânicas, ópticas, eletrônicas, termais e magnéticas do material,” explica Zettl.

A técnica de filmagem de átomos em movimento agora poderá ser aplicada a outros materiais, permitindo o entendimento da formação e cristalização dos sólidos.


Bibliografia:
Graphene at the Edge: Stability and Dynamics
Çaglar Ö. Girit, Jannik C. Meyer, Rolf Erni, Marta D. Rossell, C. Kisielowski, Li Yang, Cheol-Hwan Park, M. F. Crommie, Marvin L. Cohen, Steven G. Louie, Alex Zettl
Science
March 27, 2009
Vol.: 323. no. 5922, pp. 1705 - 1708
DOI: 10.1126/science.1166999

Neurônio artificial pode criar estrutura capaz de emular cérebro humano

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Neurônio artificial pode criar estrutura capaz de emular cérebro humano

A modelagem de estruturas de carbono em escala molecular pode ser o próximo passo na tentativa de emular funções do cérebro humano. Com esse enfoque, pesquisadores estão projetando um córtex sintético, uma plataforma onde a forma de funcionamento do cérebro humano poderá ser imitada de forma artificial.

Neurônio artificial pode criar estrutura capaz de emular cérebro humano

Esquema do neurônio artificial, construído com transistores de nanotubos de carbono.[Imagem: USC/NSF]

 

Neurônios artificiais

A equipe da professora Alice Parker está criando os primeiros neurônios sintéticos, ou artificiais, minúsculas estruturas feitas com nanotubos de carbono, capazes comunicar-se uns com os outros.

Cada vez que um neurônio é acionado, ele envia um sinal eletroquímico para milhares de outros neurônios ao seu redor. Com aproximadamente 100 bilhões de neurônios no córtex humano, o que resulta em algo como 60 trilhões de conexões sinápticas, o cérebro é uma estrutura maciçamente interconectada.

 

Esfera do pensamento

“O cérebro é uma espécie de fábrica bioquímica, operando em uma esfera que você não pode esticar sobre circuitos integrados e placas de circuito impresso a fim de emular toda a sua atividade elétrica,” explica a professor Parker.

“A conectividade é imensa e existem muitos ‘delays’. Nós tivemos que nos voltar para a nanotecnologia para construir algo tridimensionalmente, para que eventualmente nós sejamos capazes de emular como os neurônios disparam e ativam os outros ao longo de uma rota específica dentro daquela esfera.”

 

Neurônios transistorizados

O resultado é um neurônio artificial projetado tridimensionalmente, como se fosse um transístor 3D, construído com peças nanoscópicas de carbono. Usando o projeto, os pesquisadores agora se preparam para construir o primeiro chip usando os seus “neurônios transistorizados” de carbono.

Até o final deste semestre, afirma Dra. Parker, a pesquisa já contará com “vários neurônios sintéticos conversando entre si.” Usando o chip que será construído, os pesquisadores planejam testar a conexão entre os neurônios sintéticos e sua interconectividade, verificando o funcionamento de suas sinapses artificiais.

 

É possível construir um cérebro artificial?

O objetivo da pesquisa não é modesto. Em última instância, os pesquisadores desejam responder uma questão fundamental: Será o homem capaz de construir um cérebro artificial, de dimensões razoáveis, capaz de apresentar um comportamento e aprender?

“Nós realmente não sabemos se conseguiremos ainda, apesar de toda a imprensa falando que nós estamos próximos disso,” explica a Dra. Parker. “O córtex humano é maciçamente interconectado e as conexões estão sempre mudando. Esse tem sido sempre um dos maiores desafios na tentativa de simular o funcionamento neural. Mas, com as tecnologias se tornando menores e mais baratas, há uma possibilidade de se construir estruturas neurais na escala do cérebro humano.”

Para o que serviria um cérebro artificial? Para controlar robôs terrestres e espaciais, para construir carros capazes de dirigir sozinhos, próteses capazes de aprender (a ver e ouvir, por exemplo), fazer implantes médicos neurais e o que mais ocorrer ao cérebro natural. Pelo menos até que idéias comecem a ocorrer também nos cérebros artificiais.

 

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=neuronio-artificial-pode-criar-estrutura-capaz-de-emular-cerebro-humano&id=010165090310

Nanoantenas de carbono superam antenas tradicionais em aplicações sem fio

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Nanoantenas de carbono superam antenas tradicionais em aplicações sem fio


Nanoantena

“Ela transmite quase tão bem quanto uma antena de cobre comum, mesmo tendo apenas um décimo de milésimo de seu peso.” É assim que os pesquisadores da Universidade de Cincinnati, nos Estados Unidos, descrevem a sua nanoantena, construída com uma fibra feita com nanotubos de carbono.

Para testar a nanoantena e comprovar sua incrível eficiência, os pesquisadores abriram um telefone celular e substituíram a antena do aparelho pela finíssima fibra de nanotubos de carbono que eles teceram em seu laboratório.

 

Nanoantenas de carbono superam antenas tradicionais em aplicações sem fio

Em cima, a fibra tecida a partir de nanotubos de carbono. Embaixo, o teste no celular do pesquisador.[Imagem: Jay Yocis]

 

 

 

Antena dipolo de carbono

“A surpresa mais agradável foi como foi fácil fazê-la funcionar. A parte mais difícil é manipular a antena. Ela flutua no ar ambiente,” conta David Mast, que desenvolveu a nanoantena em colaboração com seus colegas Vesselin Shanov e Mark Schulz.

Para facilitar os testes, os pesquisadores colaram sua antena dipolo de nanotubos de carbono, que mede apenas 25 micrômetros de diâmetro, em uma fita adesiva.

A nanoantena tem inúmeras possibilidades de uso, podendo servir para transmitir dados em equipamentos superminiaturizados, como implantes médicos, etiquetas RFID e em roupas inteligentes, que poderão ter equipamentos eletrônicos incorporados no interior das fibras do tecido.

 

Elétrons na superfície

A antena de nanotubos de carbono funciona tão bem porque os elétrons estão sempre tentando ir para a superfície do material por onde eles transitam. Como o cobre é um material maciço, resta uma superfície pequena para que eles transitem.

Na fibra de nanotubos de carbono, os elétrons podem ir sempre para a superfície dos diversos nanotubos individuais que compõem a fibra. Em vez de vencer a resistência para caminhar no interior de um material maciço, eles estão sempre na superfície, que é onde eles trafegam com maior eficiência. Além disso, os nanotubos são ocos, o que deixa ainda mais área superficial à disposição dos elétrons.

 

Substituindo as fiações de cobre

“As fibras de carbono têm uma fração dos atuais condutores de cobre e as antenas poderão ser aplicadas diretamente [nos equipamentos], podendo ter importância significativa em atividades aeroespaciais. Em um avião, há várias centenas de quilogramas de cabos e fiações de cobre,” diz Mast.

Agora os pesquisadores planejam melhorar a resistência de suas fibras, tecendo-as em múltiplas malhas, além de encontrar empresas que estejam dispostas a fabricar as nanoantenas em escala comercial.

 

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=nanoantenas-de-carbono-superam-antenas-tradicionais-em-aplicacoes-sem-fio&id=010165090319