Os nanocristais de emissão contínua permitirão a construção de fontes de laser muito mais simples. Hoje, lasers de diferentes cores são criados utilizando diferentes materiais e processos, incluindo mecanismos que dividem os comprimentos de onda originalmente emitidos para que a luz saia do dispositivo com a cor desejada. Esse é, por exemplo, o mecanismo utilizado para se obter lasers na cor verde.
Com os novos nanocristais, um único processo poderá criar qualquer cor de laser. Para mudar a cor da luz emitida, tudo o que será necessário fazer será alterar o tamanho do nanocristal.
No futuro, o material também poderá ser útil para a criação de novas telas de computador mais finas do que o papel, onde cada pixel poderá ser formado por um conjunto de minúsculos nanocristais, superando largamente as resoluções possíveis com os processos atuais
Fonte: Redação do Site Inovação Tecnológica, 20/05/2009.
SÃO PAULO - Com pesquisas iniciadas há dois anos e um investimento de R$ 10 milhões, foi inaugurado ontem, em São Carlos (SP), o Laboratório Nacional de Nanotecnologia para o Agronegócio (LNNA). “É o único laboratório do mundo voltado para uma área em que somos fortes e temos a oportunidade de contribuir com o Brasil, agregando essa nova tecnologia”, disse Luiz Henrique Mattoso, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Instrumentação Agropecuária, em cujo terreno o prédio foi construído.
Desde 2006, Mattoso coordena a Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio, que envolve 90 pesquisadores de 32 instituições - 17 unidades da Embrapa e 15 instituições acadêmicas.”Os pesquisadores da rede trabalham para melhorar o desempenho, a produtividade e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro”, explicou. A meta é usar a nanotecnologia, a ciência que permite a manipulação de matéria em escala atômica, molécula por molécula, para aplicação desde o plantio, controlando o uso de insumos agrícolas, pesticidas e fertilizantes.
“Poderão ser aplicados no solo insumos em menor quantidade, durando mais tempo, algo que chamamos de liberação controlada no solo”, destacou Mattoso. Com nanoestruturas de hidrogéis, o agricultor poderá diminuir em 80% o volume de insumos e evitar danos ambientais ou a contaminação do lençol freático, além de economizar na produção. O LNNA já faz pesquisa com polímeros (plásticos) biodegradáveis obtidos de fontes renováveis, que poderão ser usados em embalagens de vários tipos, diminuindo o consumo de plásticos sintéticos.
Fonte: O Estado de São Paulo, pág. A21.
A indústria alimentícia começa a usar essas substâncias para diminuir os teores de sal e açúcar dos produtos ou aumentar a durabilidade. Mas o consumidor não foi avisado.
Mônica Tarantino
RECURSO Betacaroteno em escala nano feito pela Basf é usado como corante
Foi deflagrada uma revolução invisível na indústria alimentícia. Ela atende por um nome longo, mas é feita de microscópicas partículas que alteram as propriedades dos ingredientes, concentram sabores e melhoram sua absorção pelo organismo. São os nanonutrientes, desenvolvidos graças à diminuição de compostos à escala nanométrica. Ainda que você nunca tenha ouvido falar deles e, com certeza, jamais verá algum, eles já estão presentes em sucos, achocolatados e outros produtos - ao menos no Exterior.
Apenas para se ter ideia da proporção, um nanômetro está para um metro assim como uma bola de gude está para o planeta Terra. E todo o efeito dos nanonutrientes está ligado justamente a esta redução. “Jogar água fervente em um grão de café resultará em uma bebida fraca”, explica a engenheira de alimentos Rosiane da Cunha, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Porém reduzilo a pó libera o sabor e o aroma. É isso que acontece quando partículas de vitaminas, por exemplo, são submetidas a pressão, diminuem de tamanho e aumentam seu poder de ação.”
O principal motivo para o uso da nova tecnologia são as exigências de consumidores e dos organismos que regulamentam a venda de alimentos, como a agência americana Food and Drug Administration (FDA). Num mundo em que o número de pessoas hipertensas, obesas e diabéticas tem crescido sem parar, os índices tolerados de sal e açúcar nos produtos industrializados serão cada vez menores e o controle cada vez mais rigoroso. Além disso, alimentos enriquecidos com vitaminas têm a preferência. No entanto, a retirada de substâncias como gorduras, açúcares e sódio pode modificar o paladar e a consistência dos produtos e prejudicar as vendas.
O maior feito dos nanonutrientes é justamente conseguir trocar ingredientes sem alterar o sabor. Mas como isso é possível? Novos aromas criados pela nanotecnologia cumprem essa função ao produzirem nas papilas gustativas da língua o mesmo efeito dos condimentos.
Eles enganam os receptores da língua e o cérebro”, diz Paulo Menoita, da Firmenich, uma das empresas do segmento instaladas no Brasil. Numa leitura simplificada, é como se você, no lugar de tomar o açúcar de um refrigerante, estivesse na verdade ingerindo uma molécula que dá a percepção do adocicado.
A Firmenich e outras companhias têm feito apresentações dessas moléculas a executivos da indústria de alimentos. Na Givaudan, os recursos nanotecnológicos também são usados para testar a ação das partículas. “Recriamos receptores das células da língua com partículas muito pequenas para ver como reagem aos novos aromas”, diz Moisés Galano, diretor-técnico da empresa.
Na International Flavors and Fragrances, outra representante da área, a tecnologia também está no cardápio.
“Fazemos moléculas definidas como nano”, afirmou à ISTOÉ Mark Dewis, vice-presidente da empresa.
Outro foco que impulsiona as pesquisas é a necessidade de substituir corantes, associados a alergias alimentares. A empresa Basf se valeu da nanotecnologia para processar compostos como o betacaroteno, nutriente que funciona como corante em sucos e manteigas e que tem ação contra o envelhecimento precoce das células. “O tamanho reduzido das partículas aumenta a eficiência das substâncias como corantes e melhora sua absorção pelo corpo”, diz Sandra Biben, gerente de marketing de nutrição para a América do Sul.
No Brasil, uma empresa especializada em nanotecnologia, a Nanox, de São Carlos, desenvolveu dois filmes para proteger os alimentos de bactérias que causam a deterioração. Assim, uma maçã mergulhada numa solução termina sendo revestida por uma nova película protetora que dobra sua vida útil. “Os filmes foram criados com partículas do milho e de quitosana (extraída dos crustáceos)”, diz André Araújo, um dos sócios da Nanox.
PODER As partículas alteram as propriedades dos nutrientes, tornando-as mais intensas e melhorando o sabor ou a textura
Em princípio, os avanços são elogiáveis. Os nanonutrientes possibilitam a redução de substâncias que causam doenças crônicas, como a diabete, e aumentam a capacidade de o corpo se beneficiar de nutrientes importantes. Contudo, há questões preocupantes a serem consideradas. É difícil saber ao certo quais os produtos que já apresentam as partículas em suas fórmulas. No Brasil, nenhum rótulo informa a presença de nanonutrientes na composição dos produtos. Pior: o Ministério da Saúde sabe apenas que a tecnologia existe, mas não sabe dizer se o brasileiro está consumindo essas moléculas - e nem sequer realiza alguma discussão acerca do tema.
Nos EUA, o FDA disponibiliza uma lista de produtos em seu site.
Também não há informações claras das empresas. A maioria se mostra receosa e prefere manter-se desvinculada da nanotecnologia. Das 14 indústrias procuradas por ISTOÉ, por exemplo, apenas cinco se manifestaram (além das quatro citadas acima, a Kraft respondeu que realiza pesquisas na área). Nem as que assumem chamam seus produtos de nanonutrientes. “Fazemos moléculas em escala nano, mas elas medem entre 200 e 400 nanômetros. Isso está acima do que é considerado um produto de nanotecnologia, que deve ser de até 100 nanômetros”, diz Sandra, da Basf.
Frans Kampers, especialista em bionanotecnologia da Universidade Wageningen, na Holanda, e referência mundial no assunto, diz que esse comportamento tem explicação. “A relutância é consequência do medo de reações negativas do consumidor”, disse à ISTOÉ. “Mas praticamente todas as maiores companhias do setor pesquisam nanotecnologia e existem diversas produzindo ingredientes que considero nanotecnológicos. Seria bastante estranho se nenhum produto contivesse nanotecnologia de alguma forma”, afirma.
Para discutir temas como a segurança das partículas para uso humano e desenvolver uma regulamentação para o setor, foi criada nos EUA uma iniciativa ligada ao FDA e a centros acadêmicos, o Project on Emerging Nanotechnologies. “A não exigência de identificar nanoingredientes para os consumidores torna difícil dizer qual é a situação real desse jogo atualmente”, disse à ISTOÉ Andrew Maynard, principal conselheiro do programa americano. “Precisamos mudar isso.”

Fonte: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2062/artigo135034-1.htm
Apesar de a Intel adotar o nanômetro apenas em 2005, os chips já estavam nesta escala desde a década de 70.
Carlos Ossamu - 18/5/2009 - 20h04

Na mudança de 65 nm (Core Duo) para 45 nm (Core 2 Duo), o dióxido de silício foi substituído pelo elemento Hafnium.
Se os consumidores em geral começam agora a ouvir falar de produtos que levam componentes em escala nanométrica, quem lida com informática convive com essa tecnologia há muito tempo. Em nenhum outro segmento a miniaturização seguiu caminhos tão naturais como nos processadores. Os chips foram os primeiros a explorar este mundo de átomos, só que o termo “nanômetro” começou a ser usado apenas a partir de 2005, com o Pentium D, de 90 nanômetros (nm).
Até então, a escala métrica usada era o mícron, que representa um milésimo de milímetro, enquanto o nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro.
Segundo Fidel Rios, engenheiro de aplicações da Intel do Brasil, a medida significa a distância entre dois transistores. “A Intel trabalha com produtos em escala nanométrica desde o início. Em 1971, lançamos o nosso primeiro microprocessador, o Intel 4004, de 10 mil nanômetros, ou 10 mícron”, comenta. Esse chip foi usado em calculadoras eletrônicas de mesa, operava a 740 KHz e tinha 2.300 transistores. “Se a mesma tecnologia de 1971 ainda fosse usada, para se ter o poder de processamento igual a de hoje, seria necessário construir um chip de 5 metros quadrados. Atualmente, o chip mede 3,2 x 3,2 cm”, observa Rios.
Muitos consideram que a história do microprocessador começou somente em 1974 com o Intel 8080, usado em um dos primeiros computadores pessoais, o Altair 8800. O chip tinha 6 mícron, 6 mil transistores e clock de 2 MHz.
Até 2004, com o lançamento do Pentium 4 Prescott, a Intel usava a medida mícron em seus processadores. Este chip tinha distância entre transistores de 0,09 mícron (90 nanômetros), 125 milhões de transistores e clock de 3,6 GHz. No ano seguinte, com o lançamento do Pentium D, a empresa passou a usar a escala nanométrica para divulgar seus produtos. Este chip era de 90 nm, tinha 230 milhões de transistores e clock de até 3,2 GHz.. “Em 2007, houve um grande avanço tecnológico para a mudança de 65 nm (Core Duo) para 45 nm (Core 2 Duo). O dióxido de silício, que até então era utilizado nos processadores, foi substituído pelo elemento Hafnium, diminuindo a geração de calor e o consumo de energia”, diz Rios.
Os transistores possuem três contatos: Fonte (Source), Porta (Gate) e Dreno (Drain). Aplicando uma tensão sobre a Porta, é gerada uma corrente elétrica da Fonte ao Dreno. Esse transistor funciona como um interruptor e como tal é usado para a construção de circuitos integrados, como os processadores. Até então, a Porta era feita com dióxido de silício. Usada como dielétrico (isolante), ela impede a corrente elétrica, mas ao receber uma tensão, passa a conduzir. A camada de dióxido de silício é bem fina, tem apenas cinco camadas atômicas e mede 1,2 nm nos chips de 65 nm.
Com uma camada dielétrica tão fina ocorrem fugas de corrente (Leakage). Esse problema fica mais evidente quanto maior for a frequência de operação. Ou seja, além do consumo normal do transistor, muita energia é perdida em fugas e toda essa energia, como sempre, vira calor. Era como uma torneira vazando constantemente. A solução encontrada pela Intel foi substituir o dióxido de silício por um material com uma constante dielétrica maior (high K), que diminuísse a fuga e aumentasse a corrente quando o transistor fosse ligado. O material escolhido foi baseado em Hafnium, que tem uma constante dielétrica (K) por volta de 25, bem maior que a do dióxido de silício (K = 3,9). Essa tecnologia é conhecida como High K Metal Gate.
Quanto ao futuro, o engenheiro da Intel adianta que ainda este ano a empresa iniciará a produção do chip Westmere, de 32 nm, já mostrado como protótipo em eventos recentes. Por enquanto, a empresa nem pensa em computação quântica. “Achamos que o melhor custo-benefício ainda está na computação binária. A Intel vem pesquisando chips de 11 nm e 5 nm, que poderão até ser implantados no cérebro. Mas estamos sempre atentos às novas tendências e possibilidades”, diz Fidel Rios.

Atualmente, os processadores são feitos de silício, mas a miniaturização no setor impulsiona a busca por novos materiais que possam ser usados como alternativa em chips cada vez menores. Em 2001, cientistas da IBM dedicados a pesquisas em nanociências (Nanoscale Science Research Department) deram o primeiro passo para mostrar a viabilidade da aposta: conseguiram desenvolver um transistor apenas com nanotubos de carbono. Os transistores funcionam como pontes que levam dados de um lugar para o outro. Quanto menores eles forem, mais transistores caberão em um mesmo chip e, consequentemente, maior a capacidade de processamento do computador.
A grande dificuldade para que essa aplicação fosse viável era a impossibilidade de se produzir nanotubos semicondutores separadamente dos condutores. Os métodos conhecidos de síntese dão origem a uma espécie de corda, na qual os nanotubos de ambos os tipos estão fortemente ligados. A única maneira conhecida de isolá-los era a manipulação individual, que é um processo muito lento.
A solução encontrada no laboratório da IBM foi chamada de “destruição construtiva”. A técnica consiste em destruir os indesejáveis nanotubos condutores através de um choque elétrico. Após a síntese, a corda é depositada sobre uma fina camada de silício. Os cientistas utilizam esta camada como um eletrodo capaz de desligar os nanotubos semicondutores, o que impede que qualquer corrente os atravesse. Em seguida, aplicam uma voltagem apropriada à camada de silício contendo nanotubos. Os condutores, desprotegidos, acabam sendo destruídos, enquanto os semicondutores permanecem intactos.
ADuPont Polímeros de Engenharia formou aliança com a canadense Morph Technologies, a Integran Technologies e a norte-americana PowerMetal Technologies para desenvolver e comercializar uma tecnologia híbrida de polímero e metal nanocristalino. O híbrido pode ser usado para manufaturar componentes extremamente leves, com a resistência e rigidez do metal combinadas com a flexibilidade de design e o baixo peso dos termoplásticos de alto desempenho.
O híbrido MetaFuse, de nanometal e polímero, emprega um processo proprietário que aplica um nanometal de altíssima resistência a componentes produzidos com os polímeros da DuPont para criar novos e leves componentes, que podem assumir diversas formas complexas, com a rigidez do magnésio ou alumínio, mas com resistência maior.
Segundo a empresa, o metal comum oferece resistência e alta rigidez, mas tem capacidade limitada para permitir a integração e a criação econômica de formas complexas. Por outro lado, o termoplástico fornece enorme liberdade para criar formas e integrar funções, mas sofre de algumas limitações para combinar resistência e rigidez. Com a nova tecnologia, os designers têm o melhor dos dois mundos.
Os primeiros desenvolvimentos vão se concentrar em determinadas aplicações nas indústrias automotivas, de eletrônicos, de consumo e materiais esportivos, que vão oferecer os maiores benefícios que a tecnologia pode oferecer. Segundo o acordo, a DuPont Polímeros de Engenharia, com centros globais de P&D e suporte ao cliente, vai conduzir o desenvolvimento das aplicações para clientes mundiais e levar essa inovadora tecnologia ao mercado.
“Daqui a alguns anos, os computadores quânticos estarão disponíveis comercialmente e veremos como os computadores atuais são grotescos”
Carlos Ossamu - 18/5/2009 - 20h06

O chip quântico do Orion é fabricado em silício e possui 16 qubits. Cada um deles é formado por uma porção de nióbio circundada por uma bobina.
A evolução tecnológica da computação teve, inegavelmente, um grande avanço na última década, principalmente com os chips desenvolvidos em escala nanométrica. Mas isso não é nada comparável ao que preveem os cientistas com a chegada da computação quântica. “Daqui a alguns anos, os computadores quânticos estarão disponíveis comercialmente e veremos como os computadores atuais são grotescos, pois são baseados em sistemas binários – sim ou não, ligado ou desligado, zero ou um. A computação quântica, assim como os átomos e moléculas, não seguem as leis da física e poderão processar várias coisas ao mesmo tempo, com capacidade ilimitada. E isso só será possível com a aplicação da nanotecnologia”, diz Henrique Eisi Toma, professor do Instituto de Química da USP e do Laboratório de Química Supramolecular e Nanotecnologia.
O entendimento do que é computação quântica não é tão fácil, por ser completamente diferente do que ocorre no mundo clássico. O seu funcionamento tem explicação em fenômenos que ocorrem no mundo subatômico, mas segundo os cientistas, isso não entra em contradição com o mundo que conhecemos, pois lá os fenômenos são muito rápidos. Um dos principais conceitos da computação quântica é o princípio da superposição, em que uma partícula pode estar em diferentes estados simultaneamente. Isso significa que ela pode estar em diferentes posições ou até em diferentes tempos, no passado e futuro.
Enquanto o bit só pode assumir o valor zero ou um, o qubit, que é o equivalente na computação quântica, pode assumir os valores zero e um ao mesmo tempo. Imagine um labirinto e cada vez que há uma bifurcação, o qubit se divide em dois. É fácil entender que dessa forma ele encontrará a saída muito mais rápido do que o bit clássico, em que só se pode escolher um caminho – caso ele erre, deve voltar ao ponto original e começar tudo novamente.
Um exemplo clássico das vantagens da computação quântica em comparação à tradicional é quando se quer encontrar o nome de uma pessoa em uma lista telefônica ordenada por nomes e se tem apenas o número dessa pessoa. Na computação clássica, é necessário ver nome por nome para ver se confere com o número que se tem em mãos. Já na computação quântica é possível pegar todos os números da lista e colocar em estado de superposição, processando o nome associado ao telefone em todos os números ao mesmo tempo. É o chamado paralelismo quântico, que torna o processamento de grandes volumes muito mais rápido.
“A evolução disso poderá ser o computador molecular, que processará informações da mesma forma que o nosso cérebro. Será possível até mesmo nos conectarmos aos computadores para aprendermos”, afirma o professor Toma. Pelo visto, o mundo apresentado pelo filme Matrix não é tão absurdo, tirando a parte das máquinas usando as pessoas como fonte de energia.
Primeiro modelo - A computação quântica não é mera teoria. A canadense D-Wave (www.dwavesys.com) apresentou em 2007 o computador Orion, baseado em um chip de 16 qubits. Durante a demonstração, o equipamento realizou tarefas simples, que poderiam ser realizadas até por palmtops – resolveu problemas de lógica, encontrou soluções para o jogo Sudoku e pesquisou alternativas para drogas usadas na indústria farmacêutica. Mas como disse Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na Lua, em 20 de julho de 1969, este foi “um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade”, já que provou a viabilidade da computação quântica.
O chip quântico do Orion é fabricado em silício e possui 16 qubits. Cada um deles é formado por uma porção de nióbio circundada por uma bobina. Quando a bobina é estimulada eletricamente, ela gera um campo magnético, que provoca alterações de estado nos átomos de nióbio. Essas mudanças de estado são captadas pelos circuitos e transformadas em dados. Para que tudo isso funcione, o chip quântico precisa ser congelado a 4 milikelvins, temperatura muito próxima do zero absoluto. Isso é feito por meio de um sistema de refrigeração com hélio líquido. O nióbio torna-se supercondutor nessa temperatura. Na Amazônia, estão as maiores reservas de nióbio do planeta. Não é à toa que tem muita gente falando em internacionalizar a floresta, não só para preservá-la, mas pelas águas e pelo nióbio.
A manipulação de átomos cria novos materiais, que podem ser usados em todos os setores do conhecimento.
Carlos Ossamu - 18/5/2009 - 20h08

Henrique Eisi Toma: entre as pesquisas, estão nanopartículas que penetram e destroem as células cancerígenas, e células solares capazes de gerar energia, que futuramente poderão estar numa roupa, alimentando de energia o iPod ou o telefone celular.
Henrique Eisi Toma, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), explica que, enquanto a miniaturização teve um forte impacto na indústria de eletrônicos e informática, com o desenvolvimento de chips e circuitos eletrônicos menores, a nanotecnologia está revolucionando todas as áreas, de cosméticos, vestuários, alimentos até na medicina. “No mundo todo, a nanotecnologia está no centro dos principais investimentos. A estimativa é que entre 2010 e 2012 este setor movimente mais de US$ 1 trilhão, equivalente ao PIB brasileiro”, observa.
Entre os exemplos, na indústria automobilística e aeronáutica, a nanotecnologia possibilita materiais mais leves e resistentes, pneus mais duráveis, plásticos não inflamáveis e inteligentes. Um carro produzido com este plástico, bem mais leve que o aço, mas tão resistente quanto, ao ser amassado, “lembrará” do seu formato original e voltará ao estado original. Na indústria têxtil, tecidos com nanopartículas mudarão de cor quando expostos ao sol e serão totalmente à prova de sujeira, incluindo ações antibactericidas. Na indústria farmacêutica, materiais serão usados para regenerar ossos e tecidos danificados, e o câncer será tratado com 100% de eficiência sem os indesejados efeitos colaterais dos atuais medicamentos quimioterápicos.
Segundo conta o professor Toma, no LQSN foi desenvolvido um material totalmente biodegradável, mas que possui nanopartículas magnéticas. Uma de suas aplicações é em desastres ambientais com vazamento de óleo. “É como se fossem pequenos imãs, com um campo magnético muito intenso. Basta borrifar esse material no local onde houve o derramamento de óleo e depois recolhê-lo com um cinturão magnético, ou eu concentro o óleo em um local, evitando uma catástrofe ambiental”, explica. “O mesmo material pode ser tratado para reconhecer células tumorais. As nanopartículas penetram nas células cancerígenas e com a aplicação de uma pequena radiofrequência baixa, é possível destruir os tumores sem interferência médica. Este conceito é chamado de hipertemia. Temos vários usos para um mesmo produto”, comenta.
Uma outra pesquisa realizada pelo LQSN usando nanotecnologia são células solares capazes de gerar energia, que futuramente poderão estar numa roupa, alimentando de energia o iPod ou o telefone celular. Um corante absorve os fótons e gera um fluxo de elétrons que são levados a um coletor de dióxido de titânio. Comparadas com as células solares convencionais de silício, as células solares fotoeletroquímicas são mais fáceis de serem fabricadas e são mais baratas.
“O que torna essa área tão atraente, além da forte proximidade com os sistemas biológicos, é o fato de se poder trabalhar com moléculas como se fossem máquinas, para gerar sistemas e produtos bastante inovadores e interessantes”, diz o professor. “Quando se fala em computação molecular como algo impossível, as pessoas se esquecem de que o nosso cérebro funciona essencialmente com moléculas, e é melhor que qualquer computador já fabricado pelo homem”, diz.
A nanotecnologia vem proporcionando o desenvolvimento de novos materiais e produtos em todas as áreas, desde medicamentos mais eficientes, que poderão curar definitivamente o câncer sem o uso de quimioterápicos agressivos; tecidos que não sujam ou até mesmo que nos deixem invisíveis; também computadores moleculares, que poderão ser conectados ao cérebro para podermos aprender.
Carlos Ossamu - 18/5/2009 - 20h18
Os filósofos gregos antigos, entre eles Tales de Mileto, Aristóteles e Demócrito, há mais de 2.500 anos , se perguntavam do que as coisas eram feitas, se tudo o que existe não poderia ser reduzido a componentes mais simples. Afinal, a matéria não poderia ser dividida infinitamente, deveria haver um limite, algo tão pequeno que seria indivisível. A isso eles chamaram de átomo, que significa “não divisível” (apesar de a bomba atômica ter mostrado que até o átomo pode ser dividido, liberando imensa energia).
É neste universo de átomos e moléculas que trabalha a nanotecnologia, manipulando estruturas muito pequenas e criando materiais funcionais que são impossíveis de serem feitos do modo convencional. Um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro ou um milionésimo de milímetro.
Em termo ilustrativo, uma partícula nanométrica seria uma bola de futebol em comparação à Terra. Em essência, a nanotecnologia consiste na manipulação da matéria em nanômetros, para criar estruturas com uma organização molecular diferenciada. Seria algo como montar uma molécula do jeito desejado, utilizando átomos como peças fundamentais.
O primeiro passo para manipular moléculas foi dado nos anos 80, com a criação do microscópio de tunelamento. Seus inventores foram dois cientistas do laboratório da IBM na Suíça, Heinrich Rohrer e Gerd Binning, que levaram o Prêmio Nobel de Física pelo trabalho em 1986. Mas o “pai” da nanotecnologia foi o norte-americano Kim Eric Drexler, que aliás foi a primeira pessoa no mundo a obter o título de PhD em Nanotecnologia em 1991, pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Drexler escreveu seu primeiro artigo científico em 1981, sobre a possibilidade de reproduzir mecanicamente a atividade biológica celular, chamada de engenharia molecular, na revista Proceeding of the National Academy of Sciences. Em 1986, escreveu o livro Engines of Creation, usando pela primeira vez o termo Nanotecnologia. “Toda a biologia é feita em escala nanométrica e não há máquina mais perfeita do que a criada pela natureza”, diz Henrique Eisi Toma, professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) e responsável pelo Laboratório de Química Supramolecular e Nanotecnologia (LQSN). “A borracha é um material frágil, que esfarela com facilidade e não tem muita resistência. Mas ao ser adicionado carbono, ela fica resistente e é usada na fabricação de pneus. Há pesquisas para o desenvolvimento de pneus mais ecológicos, com o uso de nanopartículas de argila, com mais durabilidade e menos agressivas ao meio ambiente”, diz o professor Toma.
Fonte: Diário do Comércio - Caderno Especial: Nanotecnologia. Págs.: 01 a 03.
Uma equipe de pesquisadores conseguiu produzir energia, convertendo vibrações à baixa freqüência, oriundas de movimentos do corpo, do andar ou ainda dos batimentos repetidos do coração.
A técnica utiliza nanofios de óxido de zinco que geram uma corrente elétrica (propriedade piezelétrica) quando estes são submetidos a estresses mecânicos. O diâmetro e o comprimento dos fios utilizados são de 1/5000 a 1/25 vezes o diâmetro de um cabelo humano (um fio de cabelo mede aproximadamente 80 m de diâmetro (1 µm = 10-4m)) .
“A pesquisa terá impacto considerável sobre as tecnologias de defesa, de monitoramento do ambiente, das ciências biomédicas e também da eletrônica”, declarou o responsável pelo projeto, Zhong Lin Wang, professor do Georgia Institute of Technology.
Os nanofios podem ser “cultivados” sobre metais, cerâmicas, polímeros e até mesmo sobre roupas. Ainda segundo os cientistas, os nanogeradores poderiam alimentar aparelhos eletrônicos utilizados pelas forças armadas quando as tropas se encontram isoladas do campo de base. Poderiam, ainda, servir de sensores biológicos (biossensores) implantados sob a pele.
“Simplesmente, essa tecnologia pode ser utilizada para produzir energia quando há movimento”, declarou Wang. Em compensação, nenhuma data oficial foi dada sobre a colocação dessa tecnologia no mercado.
Fonte: Enerzine, 01 de abril, 2009 (Tradução - MIA).
Nova forma de produzir grafeno viabiliza papel eletrônico
O grafeno é o material do futuro. Pelo menos para diversos centros de pesquisa espalhados pelo mundo que, desde 2004, quando foi isolado pelo grupo de Andre Geim, da Universidade de Manchester, têm estudado as propriedades e aplicações dessa nova forma de carbono.
Sucessor do silício
O grafeno é considerado o mais forte de todos os materiais já medido pelo homem. Por suas características insólitas (reduzida espessura, por exemplo) e propriedades notáveis (alta condução de eletricidade), ele tem sido cotado, entre outras coisas, como possível sucessor do silício na fabricação de chips de computador ou como o material de base para a nova geração de dispositivos eletrônicos.
Por formar folhas resistentes e capazes de serem dobradas sem danos - por conta do arranjo de átomos de carbono em uma estrutura que lembra o de uma colméia -, uma das principais aplicações potenciais do grafeno está na fabricação de aparelhos eletrônicos flexíveis.
Mas os dispositivos eletrônicos à base de grafeno desenvolvidos até o momento foram feitos de peças minúsculas (na escala dos micrômetros) e a partir de um método pouco eficiente que envolve “descascar” camadas de um substrato de grafite.

Cientistas sul-coreanos desenvolvem método mais eficiente para a produção de folhas de grafeno, material que poderá servir de base para os eletrônicos do futuro. [Imagem: Hong et al]
Deposição de vapor químico
Agora, um grupo de cientistas da Coreia do Sul descreve um método alternativo e mais versátil para produzir filmes de grafeno com excelentes propriedades eletrônicas.
Os filmes são flexíveis e podem ser construídos em tamanhos relativamente grandes, de vários centímetros de área. No estudo, Byung Lee Hong, da Universidade Sungkyunkwan, e colegas aperfeiçoaram um processo conhecido como deposição de vapor químico, no qual uma mistura gasosa de hidrocarbonetos circula sobre folhas de níquel aquecidas e se quebra em átomos de carbono.
Os átomos, por sua vez, rearranjam-se na forma de grafeno. Ao esfriar rapidamente o substrato, são formados filmes com apenas algumas camadas de espessura. Esses filmes ultrafinos são transparentes e contam com alta condutividade elétrica, semelhantes aos obtidos pelo processo mecânico de obtenção de grafeno, até então o único existente.
A principal promessa da novidade está no desenvolvimento de eletrodos flexíveis, transparentes e que ocupam grandes áreas. Um exemplo, segundo os pesquisadores, está em telas eletrônicas, para uso em publicações como revistas ou jornais, em substituição ao papel.
Bibliografia:
Large-scale pattern growth of graphene films for stretchable transparent electrodes
Keun Soo Kim, Yue Zhao, Houk Jang, Sang Yoon Lee, Jong Min Kim, Kwang S. Kim, Jong-Hyun Ahn, Philip Kim, Jae-Young Choi, Byung Hee Hong
Nature
14 Jan 2009
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nature07719
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=nova-forma-de-produzir-grafeno-viabiliza-papel-eletronico&id=010165090203